BEZALÉA
O Senhor Deus disse a Moisés: "Eu escolhi Bezalel, filho de Uri e neto de Hur, da tribo de Judá, e o enchi com o meu Espírito. Eu lhe dei inteligência, competência e habilidade para fazer todo tipo de trabalho artístico" (Êxodo 31:1-3)
terça-feira, 10 de junho de 2025
terça-feira, 20 de agosto de 2024
A arte para o livro ilustrado sobre Ezequiel 16 me jogou na dúvida. A mão masculina ficou esmagadora, é execrável. Pensando ter pesado no sombreado, gastei a tarde reduzindo o contraste. A carta ditada a Ezequiel é de um marido ciumento à esposa infiel, mas é preciso considerar o livre arbítrio. Não é?
Pois bem, quando me dei por satisfeita com o esmaecimento da peça, fui descansar a mão _ mais ou menos, fui zapear vídeos _ e me fisgou uma discussão sobre o Salmo 23. O coordenador geral da tradução NVI da Bíblia informando que certamente a bondade e o amor leal de Deus NÃO me “seguirão” todos os dias da minha vida. Segundo está escrito no original, a bondade e o amor leal de Deus me "perseguirão”, porque o termo hebraico utilizado pelo salmista Davi significa perseguir do jeito que um inimigo persegue, sem trégua. Todos os dias da minha vida! Por causa da aliança com Ele. Significa que quando sou infiel, Ele não me deixa na “paz” do esquecimento. Ele persegue.
E me lembrei que a foto modelo que usei para a ilustração das mãos é de uma cena de The Chosen, quando Jesus encontra Madalena na taverna, prestes a pegar um copo de bebida, e a detém no gesto, dizendo: “Isso não é para você”. Ela o repele na hora e sai porta afora, mas termina em seus braços, ouvindo a frase mais aclamada da série: “Eu te chamei pelo nome, e você é minha”. E sendo liberta dos sete demônios.
E me lembrei também que ao assistir essa cena pela primeira vez chorei até as cinco horas da manhã, sem conseguir dormir.
Então voltei ao desenho das mãos e dei asas ao claro-escuro.
sexta-feira, 2 de agosto de 2024
A procrastinação já me impediu de realizar várias coisas.
Lavagens de roupa, marcações de consulta no SUS, invenções artísticas. Mas
nalguns casos minha desistência é por ver sinal de inutilidade mesmo. Algumas
vezes é bom senso.
Minha Ordem de Serviço de todo dia parece simples: cuidar
da minha vida o melhor possível e ajudar quem está perto. Mas acho que devo evitar o desperdício de energia. Isso é algo para
prestar atenção. É preciso pesar os sinais do desempenho. Como Jesus fez com
aquela figueira que viu no caminho. Estava com fome. Estação de figo. Chegou
perto da árvore. Procurou. Mas só encontrou folhas. Então disse: Nunca mais dê frutos! Lemos que ela
secou na hora. E embora sua contrariedade ali seja evidente, pode bem ter
falado sem exasperação, com a mesma serenidade com que disse Efatá para abrir o ouvido do surdo.
O potencial de um projeto tem de ser analisado. Bem de
perto.
Igual também naquele meio-dia quente em que Ele chegou com
dois anjos à residência de Abraão. Vindo avaliar as acusações contra Sodoma. Chegaram
fisicamente, os três. Mais de perto que isso impossível. Sabemos da
fisicalidade por causa do almoço servido por Abraão, pão, carne, leite,
coalhada.
Os teólogos concluíram que o Deus humano em todas as
ocasiões de visita no Antigo Testamento é a pessoa do Filho de Deus, por isso
dão o nome de Cristofania a essas aparições.
Aqui gosto de fazer um parêntese, sem perder o fio da
meada, prometo. É que sou uma artista, e estranha, sempre que leio essa
passagem se abre na minha frente o abismo da curiosidade: que corpo é esse? Um
detalhe que parece não interessar a mais ninguém. É corpo provisório, o
definitivo ainda seria formado no ventre de Maria.
Fico imaginando se deviam ser corpos feitos para usar na
aparição e depois desmanchados, ou corpos que haviam acabado de ser desocupados,
e então “vestidos” para o momento.
Admito que essa curiosidade é causada pelo ocorrido no
filme Encontro Marcado. Se é curiosidade pueril, desculpe, vou retomar o fio da
meada. Sobre analisar potencial de projeto em andamento.
Depois da refeição os dois anjos foram para Sodoma, para
a análise in loco, e Ele ficou com o anfitrião no mirante, a observar a cidade
lá embaixo no vale.
Gosto tanto da atmosfera desse momento, que até dá vontade de ter estado junto, apesar da desgraça iminente. E correndo o risco do profano outra vez, vou dizer que me lembra um
pouquinho de Suassuna, Abraão parecendo um João Grilo, parado como um
cisco de gente, mal disfarçando a ansiedade em conhecer a intenção do
Senhor. Porque seu sobrinho Ló morava em Sodoma.
Talvez haja
cinquenta justos na cidade, experimenta dizer.
Fico com a impressão de que que o Senhor está reticente, com boa parte da atenção voltada para o relatório virtual dos dois anjos lá no vale, numa espécie de meet
online, pois responde apenas que não destruiria cinquenta justos, deixando espaço grande para Abraão pó e cinza se atrever a esticar interrogação outra vez e
mais outras, em ordem regressiva chegando à especulação de dez justos na
cidade.
A última resposta
do Senhor foi de tranquilizar, estava monitorando o potencial do lugar.
E hoje sabemos que esse potencial não era outro senão o
cúmulo em arrogância, depravação e violência. Por exemplo, com a chegada dos
dois agentes celestiais à casa de Ló, simplesmente todos os homens da cidade tentarem
arrombar a porta para estuprar esses visitantes. E ameaçavam fazer pior ao
dono da casa por protege-los.
O Senhor por fim mandou retirar dali Ló e família, para
continuar a analisar. E o resto queimou.
sábado, 1 de junho de 2024
domingo, 26 de maio de 2024
SINAIS
Tantos têm aversão, mas sempre simpatizei com urubu. Passei a infância inteira na vila de pescadores à margem da Lagoa Mundaú, onde as pessoas colhiam e tratavam o molusco sururu para consumo e venda no mercado, e depositavam as conchas num mesmo local, perto da última casa da rua, formando um monturo crescente ao longo dos anos.
O odor no pico do meio-dia era pungente, mas não me desagradava, acho o pescado seco ao sol similar ao assado. Ali morava uma nuvem de urubus, esvoaçando o dia inteiro sobre a pirâmide gigantesca de cor preta nacarada, em mergulhos de disputa por cada resíduo nas conchas.
O balé deles deslumbrava os meus olhos artistas, eu assistia por horas a fio.
Aqui também, onde moro hoje, entre vários lagos, os urubus são vizinhos. Faxineiros competentes a consumir a carne de tudo que morre, peixe, ave ou mamífero. Nem o cadáver de um cavalo é necessário enterrar, durante três dias ocorre aquele balé no ar, e só sobra o esqueleto, limpo.
Peguei nesse assunto porque Jesus ao ser questionado pelos fariseus sobre a vinda do reino de Deus, lançou uma das suas metáforas:
“Onde estiver o corpo de um morto, aí se ajuntarão os urubus”.
Resposta enigmática, para variar. Judeu autêntico, quando não devolve uma pergunta, dá resposta que gera pergunta.
Quando li em Lucas, ontem, ouvi.
Depois indaguei se de fato ouvi.
Fui aos expositores da Palavra, mas está insolúvel até agora, parece, não conseguem entrar em acordo.
Sei é que Ele já vinha avisando que passaria pela morte.
E urubu, quem é nessa história?
Eu?
Ok... Lembra que Ele determinou que comamos a sua carne, para ter vida?
segunda-feira, 20 de maio de 2024
Outro enigma que merece um artbook bordado
Lucas diz no capítulo 8 que Jesus de Nazaré
o homem mais poderoso de todos os tempos
que já era poderoso antes de vir tornar-se homem
e é poderoso para sempre
teve o seu ministério aqui sustentado
pelo dinheiro de mulheres que libertou
Alô, alô, feministas!
Fiquemos no xis da questão:
Ele não precisava
Mas se permitiu precisar
Porque a incerteza da pobreza deveria ser
uma das Suas assimilações por aqui
Para a tarefa Ele escolheu mulheres
Talvez seja aquela tecla que a gente
vem clicando tão freneticamente
O tal do “empoderamento”
É?...
quarta-feira, 24 de abril de 2024
segunda-feira, 25 de março de 2024
quinta-feira, 14 de março de 2024
sábado, 9 de março de 2024
Dezembro sol a pico
Eu suando bicasA pessoa sorriu largo me respondendo
que o verdoso no copo
era milk-shake de pistache
O gosto era ok
Mas não
Suspeitei depois de estricnina
Mas não teve CSI para comprovar
Não morri porque não
Depois de tardes voarem a pessoa me apareceu
de estômago vazio _ e bolso
Eu tinha pão quente da padaria
ovo caipira e bacon
Preparei para mim
E para a pessoa
A pessoa revolveu na boca cheia
Lambendo as pontas dos dedos
Revirando os olhos de elogiar o gosto
Eu comi revolvendo no fel
que ainda me manchava o estômago
Pois se tinha tentado me matar
_ veja uma coisa dessas!
E amnésia não tenho
Era o Sermão da Montanha que Jesus mandou
Satã ficou dizendo que é hipocrisia
Dei um piparote no Satã e sua opiniãozinha
que não cheira nem fede
domingo, 3 de março de 2024
terça-feira, 27 de fevereiro de 2024
segunda-feira, 11 de dezembro de 2023
sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
CAÍDOS
segunda-feira, 20 de novembro de 2023
Das bem-aventuranças
Era uma vez um aquário que um moço cultivou.
Tratava-se de um boião de vidro posto sobre uma mesa na
sala. Uma peça espaçosa, pois ele considerou com cuidado a liberdade de
movimento dos seres do aquário. Assim também a combinação de espécies para a
convivência. Monitorava o tempo todo as condições biológicas da água, a
iluminação, o sabor e o equilíbrio da alimentação.
Um aquário adequado para peixes viverem.
Além de bastante decorativo. Continha seres absolutamente
lindos. Pelo menos aos olhos do moço. Um arco-íris de tipos habitando a
superfície, o meio e o fundo, prateado, dourado, laranja, vermelho, azul,
branco, preto, roxo, arlequim, de bolinhas, de listras, de manchas.
Enfeitara também com plantas aquáticas, que são
indispensáveis para purificação e oxigenação da água e ambientação dos peixes, e
com troncos naturais, pedras, mini cavernas e esculturas com corais adaptados à
água doce grudados nelas.
Cuidar desse pequeno universo lhe dava imenso prazer.
Embora acontecesse uma coisa que produzia frustração. Ele
gostaria de contemplar os seus peixinhos, tamborilar de leve as pontas dos
dedos no vidro e os ver chegar, com olhinhos de curiosidade e sorrisos de
biquinho. Mas nenhum lhe dava tempo para isso, pois quando se aproximava do
aquário, todos disparavam para longe, amedrontados, cada um tratando de encontrar
um esconderijo. Sempre tinha de se contentar em avistar no máximo um ponto
furta-cor entre os pompons da cabomba lá no fundo, ou uma forma que lembrava
uma borboleta no meio da samambaia d’água mais distante, ou uma pedra que não
era, mas sim uma cauda flutuante, ou algumas bolinhas turquesa, tudo detrás de folhas
da anúbia anã. Até mesmo o Otocinclus ao percebê-lo, descolava do vidro a sua
ventosa e se enfiava nas profundezas do boião.
O moço foi ficando tristonho com essa circunstância.
Precisava descobrir alguma maneira de interagir com os seus bichinhos.
Quando um amigo opinou que se transformar em um peixinho
seria o único jeito de ser tratado com naturalidade pelos habitantes do
aquário, ele sem receio, ou qualquer hesitação, mergulhou!
Obteve um corpo de peixinho através do ventre emprestado
de uma peixinha. E habitou nesse mundo aquático durante um tempo, revelando-se para
eles como seu dono, explicando que os havia comprado porque os amava muito, que
havia entrado na pele deles para compreender sua fragilidade e seus temores, e
contando sobre o cuidado extremo que sempre lhes dedicara.
Chegada a hora de retornar ao seu mundo original,
prometeu continuar a zelar pela saúde e a segurança deles. E avisou que
desejava manter o contato diário.
Grande parte deles não acreditou numa só palavra da sua
história, é lógico, onde já se viu um peixinho dizendo tais coisas?
Mas outros escolheram crer, e perderam o medo de
encontrar o dono, mesmo ele sendo imenso.
E esses crentes foram felizes para sempre!
_ do argumento do escritor americano Philip Yansey, no
livro “O Jesus Que Eu Nunca Conheci”
https://drive.google.com/file/d/1acm5QtS7idN2oLkH7lqI1ORmMuprHBjK/view?usp=share_link
_ hã... não, espere um pouco: o argumento mesmo é do
escritor judeu chamado João, no capítulo um do seu Evangelho, versículo
catorze:
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a
sua glória”.
A FEITURA
Ontem conheci aquela moça nascida com uma doença que
causa descamação em excesso na pele, fazendo parecer que esteve no meio de um
incêndio, coberta de crostas escuras, uma disfunção nos olhos e uma deformação
nos lábios. Disse que passou por muito procedimento médico, é incurável, e ela
sobrevive coberta de bálsamo. Mas pertence a Ti, e ama te louvar, com uma voz que
é indescritível. Quem a ouve cantar conclui que também tem motivo para te
louvar.
Por isso passei a noite a recordar os bálsamos.
As coisas podem ficar difíceis depois que a gente eclode
do ovo. Pele e olhos de sensidez absoluta, pernas trôpegas, ladeira íngreme,
pedras pesadas.
Pensei que o primeiro bálsamo tivesse sido aos nove anos
de idade, naquela escola aonde me levaste para te encontrar. Onde teve o João-três-dezesseis,
o hino-quinze, os pratos de feijão com bagre ao molho de coco, as tranças no
cabelo, a amiguinha prestimosa, as maçãs vermelhonas na redinha amarela. E as
aquarelas inspiradoras no livro de lição.
Um bálsamo-tatuagem, esse.
Porém houve antes. Quatro anos? Tinham me levado a um
ponto alto na ladeira, e sentada no meio da brisa escutei a paisagem. A superfície
da lagoa cintilava lilás. Na margem de lá, a silhueta do coqueiral à direita, e
à esquerda o aglomerado cosmopolita, que o sol nacarava como se fosse uma praia
de conchas. Meu queixo pendurado e meu olhar vagando arregalado. Quem, senão Tu,
para me mostrar a paisagem naquela idade?
Mas, espere, um interlúdio antes ainda... não sei quanto
antes, mas talvez ainda nem usasse erres e esses. A tarde verde-água morna
estava tão fácil de respirar, que eu avancei para a porta, exclamando o festejo:
“Que dia bom pra brincar!”, quando uma voz rebateu com aspereza: “Dia bom pra
trabalhar!”. Era apenas alguém protestando contra a vida adulta, mas rasurou a
tatuagem. E permitiste, para contraste. Para lição de livre-arbítrio. Escolho a
vida.
Agora os vejo incontáveis, esses bálsamos desfilando
diante dos meus olhos.
Aquela batata-doce mais doce do mundo.
O sururu e o pitu e o siri, seus caldos e pirões.
A manga rosa carnuda que só lá.
O caju com a castanha imensa de assar na fogueira.
A cana e a banana em tudo que é quintal.
O araçá em tudo que é barranco.
Em cada palmo de terra o coco com água e geleia
salobrinhas.
O jambo azedinho.
A fruta-pão que é pão mas não.
A amendoeira que é uma escultura de sombra com fruta
bordô cheirosa.
Boiar no rio esmeralda bordado de baronesas e com margem
rendada de capim-santo e lírios brancos.
Os jasmineiros sem fim na alameda dos casarões, a caminho
da casa do tio Pedro. Dali guardei as bonitezas portuguesas, aquelas que
resultavam em gemas de louça floral azul lapidadas pelo terreno arenoso em tudo
que é canto. E não fiquei arqueóloga desses tesouros? Até hoje em dia.
Bálsamo-tatuagem é de construir álter ego, que eu sei.
Êxodo conta que Tu encheste do Espírito Santo um artista chamado
Bezalel para decorar o Tabernáculo de adoração. Ali utilizas inclusive a
expressão “inventar invenções”.
Meu álter ego já tinha nome faz um tempo. Mas agora vou mudar.
Sou Bezaléa.
sexta-feira, 6 de outubro de 2023
segunda-feira, 2 de outubro de 2023
Exodus
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Tantos têm aversão, mas sempre simpatizei com urubu. Passei a infância inteira na vila de pescadores à margem da Lagoa Mundaú, onde as pesso...
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Ontem conheci aquela moça nascida com uma doença que causa descamação em excesso na pele, fazendo parecer que esteve no meio de um incên...









