sábado, 1 de junho de 2024

 

Serotonina, sabe-se, é uma substância no corpo que gera a sensação de bem-estar. Entra em ação como efeito de atividades prazerosas. A falta dela não é motivo único da depressão, mas tem ligação direta. É a embriaguez necessária que o poeta francês Baudelaire sugeriu: embriagar-se para não sentir o peso do tempo.
Paulo por sua vez aconselhou aos efésios a alternativa: encher-se do Espírito Santo.
A serotonina do Espírito Santo é especial. Assim como existe vinho e existe aquele vinho do casamento em Caná. A qualidade depende sempre de quem produz.
Para os filipenses Paulo traduziu essa serotonina especial: ocupar a mente com coisa verdadeira, honesta, justa, pura, amável, de boa fama, em que haja alguma virtude e algum louvor. Penso que essas palavras podem ser mais uma bênção do que uma ordem, já que em geral a pessoa só tem pensamento bom se estiver se sentindo bem. Quando está se sentindo mal a tendência é ficar ouvindo o conselho da mulher de Jó: “Amaldiçoa o teu Deus e morre!”
Por isso muitas vezes tenho resumido a minha oração a “Senhor, dê serotonina!”. E não tendo assim lista de pedidos, recito uma lista de nomes de pessoas ao redor do meu mundo, que recebam, no meio das circunstâncias.
Em mim o efeito tem sido grande quando enrosco em algum enigma da Bíblia.
Por exemplo, o final da última oração de Jesus por nós, que João registrou no capítulo dezessete: “Para que o amor que tens por mim esteja neles”. O que significa?
O que é estar em mim o amor do Pai por Jesus? É eu amar Jesus como o Pai o ama? Ou é o Pai me amar como ama Jesus? Ou eu amar os outros?
Perguntas simples. E nutritivas. É deleite e aventura poética. Durante dias e mais dias.
ico