Era uma vez um aquário que um moço cultivou.
Tratava-se de um boião de vidro posto sobre uma mesa na
sala. Uma peça espaçosa, pois ele considerou com cuidado a liberdade de
movimento dos seres do aquário. Assim também a combinação de espécies para a
convivência. Monitorava o tempo todo as condições biológicas da água, a
iluminação, o sabor e o equilíbrio da alimentação.
Um aquário adequado para peixes viverem.
Além de bastante decorativo. Continha seres absolutamente
lindos. Pelo menos aos olhos do moço. Um arco-íris de tipos habitando a
superfície, o meio e o fundo, prateado, dourado, laranja, vermelho, azul,
branco, preto, roxo, arlequim, de bolinhas, de listras, de manchas.
Enfeitara também com plantas aquáticas, que são
indispensáveis para purificação e oxigenação da água e ambientação dos peixes, e
com troncos naturais, pedras, mini cavernas e esculturas com corais adaptados à
água doce grudados nelas.
Cuidar desse pequeno universo lhe dava imenso prazer.
Embora acontecesse uma coisa que produzia frustração. Ele
gostaria de contemplar os seus peixinhos, tamborilar de leve as pontas dos
dedos no vidro e os ver chegar, com olhinhos de curiosidade e sorrisos de
biquinho. Mas nenhum lhe dava tempo para isso, pois quando se aproximava do
aquário, todos disparavam para longe, amedrontados, cada um tratando de encontrar
um esconderijo. Sempre tinha de se contentar em avistar no máximo um ponto
furta-cor entre os pompons da cabomba lá no fundo, ou uma forma que lembrava
uma borboleta no meio da samambaia d’água mais distante, ou uma pedra que não
era, mas sim uma cauda flutuante, ou algumas bolinhas turquesa, tudo detrás de folhas
da anúbia anã. Até mesmo o Otocinclus ao percebê-lo, descolava do vidro a sua
ventosa e se enfiava nas profundezas do boião.
O moço foi ficando tristonho com essa circunstância.
Precisava descobrir alguma maneira de interagir com os seus bichinhos.
Quando um amigo opinou que se transformar em um peixinho
seria o único jeito de ser tratado com naturalidade pelos habitantes do
aquário, ele sem receio, ou qualquer hesitação, mergulhou!
Obteve um corpo de peixinho através do ventre emprestado
de uma peixinha. E habitou nesse mundo aquático durante um tempo, revelando-se para
eles como seu dono, explicando que os havia comprado porque os amava muito, que
havia entrado na pele deles para compreender sua fragilidade e seus temores, e
contando sobre o cuidado extremo que sempre lhes dedicara.
Chegada a hora de retornar ao seu mundo original,
prometeu continuar a zelar pela saúde e a segurança deles. E avisou que
desejava manter o contato diário.
Grande parte deles não acreditou numa só palavra da sua
história, é lógico, onde já se viu um peixinho dizendo tais coisas?
Mas outros escolheram crer, e perderam o medo de
encontrar o dono, mesmo ele sendo imenso.
E esses crentes foram felizes para sempre!
_ do argumento do escritor americano Philip Yansey, no
livro “O Jesus Que Eu Nunca Conheci”
https://drive.google.com/file/d/1acm5QtS7idN2oLkH7lqI1ORmMuprHBjK/view?usp=share_link
_ hã... não, espere um pouco: o argumento mesmo é do
escritor judeu chamado João, no capítulo um do seu Evangelho, versículo
catorze:
“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a
sua glória”.

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