Longe desse feminismo sindical. Perto do que há de mais justo.
Ela servia à mesa _ a água, o vinho, as tâmaras, o pão, o
azeite, a lentilha, o assado de cordeiro. Transitando da cozinha para a ala
social e de volta à cozinha, a equilibrar a botija, a tigela, a bandeja.
Invisivelmente depositar o prato diante do visitante ilustre, aquele que viria
a ser o homem mais importante do mundo. E diante de cada um dos outros
presentes, que ouviam esse visitante ilustre explicar a inauguração do seu
reino, sem ainda entenderem que o tal reino ia abranger a totalidade da terra,
supunham que ele fosse sentar no trono do palácio existente ali, no seu país,
achado no momento em total desgoverno. Tampouco compreendiam a natureza
invisível do reino, que esse rei pretendia ser entronizado para todo o sempre
direto no coração de cada ser humano existente no mundo.
Ela desejava entender tudo isso completamente, pois no
seu próprio coração havia um trono, onde ele já estava empossado, por isso
descansou a bandeja, e sentou-se aos seus pés.
A irmã dela, anfitriã prestimosa e entendida no melhor da
hospitalidade, acabou por se zangar, e até fez uma denúncia ao hóspede ilustre
_ ele não percebia que ela ficava ali a participar da conversa como se fosse um
homem, e se recusava a ajudar no atendimento?!
A resposta dele foi que a anfitriã estava ansiosa demais,
ocupada com tanta coisa, e que apenas uma coisa é importante, e é a coisa que
ela havia escolhido: descansar a bandeja para ouvi-lo.
(De uma história feminina no livro de Lucas).

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